Contents:
- Objetivos e Estratégias
- Quem o Projeto Beneficia
- Resultados obtidos e novos parceiros
- Environmental scanning
1. Objetivos e Estratégias
Para prevenir novos desmatamentos e todas as suas conseqüências no Pantanal Brasileiro e em seu entorno, trabalhamos com proprietários de terra para a promoção de práticas de manejo sustentável que sejam alternativas rentáveis ao invés de desmatamento e mudança de habitat.
Com uma equipe de consultores e pesquisadores nós avaliamos cada fazendeiro parceiro e desenvolvemos um plano de manejo para otimizar os lucros e reduzir a pressão nos recursos naturais. Por adotar melhores práticas de manejo que diminuem a necessidade econômica do desmatamento e concentrar o impacto do gado em uma área limitada, o Plano de Manejo da Fazenda (PMF) é capaz de reduzir pressão nos recursos naturais enquanto aumenta o lucro e a eficiência do gado. Por exemplo, o modelo de rotação de pasto (descrito abaixo) permite que o fazendeiro crie mais cabeças por unidade de área, eliminando a necessidade por desmatamento e reduzindo o forrageio do gado nas florestas.
Para monitorar o progresso durante a implementação do PMF, consultores do projeto devem monitorar indicadores financeiros, socioeconômicos e ambientais estabelecidos para cada fazenda. O trabalho da WCS no Pantanal é o primeiro a documentar e demonstrar empiricamente e cientificamente as conseqüências de práticas de manejo boas e ruins em uma variedade imensa de indicadores ambientais e socioeconômicos, incluindo queixadas, morcegos, anfíbios e ecossistemas aquáticos. Grandes expectativas e excelente influência institucional e fiscalizatória foi alcançada, incluindo parcerias chaves com agências governamentais, universidades e ONGs locais, como EMBRAPA-Pantanal, Univerdidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e de Mato Grosso (UFMT), IAGRO, UNIDERP e UCDB, Estância Ambiental Quinta do Sol, Royal Zoological Society of Scotland (RZSS) entre outros.
2. Quem o Projeto Beneficia
Aumentando a viabilidade econômica das fazendas através de técnicas de manejo sustentáveis e ecologicamente corretas acabará a justificativa econômica para o desmatamento e a mudança de habitat no Pantanal. As florestas preservadas como resultado do projeto beneficiará a região inteira através da manutenção de serviços ambientais como seqüestro de CO2 e a regulação do equilíbrio hídrico. A redução da pressão nos recursos naturais (como por exemplo, menos forrageio do gado nos subbosques e nas áreas alagadas como conseqüência do melhoramento da pastagem nativa e condições das mesmas), beneficiará florestas e habitats aquáticos. Proprietários se beneficiarão diretamente ao melhorar a viabilidade econômica da fazenda através do aumento nos lucros e da sustentabilidade a longo prazo, e os trabalhadores rurais se beneficiarão de melhores moradias e condições de trabalho pelo fato de haver aumento nos lucros. Outro benefício do projeto para fazendeiros e trabalhadores inclui capacitações dadas por consultores e integrantes do projeto. O programa fornece conhecimento básico a respeito de melhores práticas de manejo, treinamento de técnicas específicas como inseminação artificial e idéias para implementar medidas conservacionistas.
Para o Pantanal como um todo (além dos avanços junto aos fazendeiros) a chave para o projeto dar certo é a demonstração de lucro e sustentabilidade a longo prazo com técnicas de manejo amigas do meio ambiente para a comunidade pantaneira, para os fazendeiros, trabalhadores rurais e agentes de fiscalização. Para isso nós demonstramos resultados de fazendas parceiras que apresentaram vantagens em técnicas específicas de manejo de gado, medidas de conservação e outros, através de oficinas, cursos e outras reuniões. Essa disseminação de idéias serve, em parte, como uma maneira de atrair novos fazendeiros para o programa, complementar conhecimentos que faltam e esclarecer os proprietários sobre as vantagens de sustentabilidade, melhores práticas de manejo e conservação florestal. Além do mais, serve como uma ferramenta de atração para estabelecer novas parcerias e promover uma oportunidade para encorajar os não parceiros a adotar as práticas de manejo amiga do meio ambiente, independente de participarem do projeto.
3. Resultados obtidos e novos parceiros
Pasture biomass improvement with
rotation system, Pantanal
Em 2006, duas parcerias com fazendeiros do Pantanal na região sudeste de Aquidauna/Rio Negro, foi estabelecida incorporando aproximadamente 6.000 há de florestas, alagados e pasto nativo bem preservados.
Em uma das fazendas, nós implementamos um sistema de rodízio experimental que tem sido foco de vários estudos para examinar a sustentabilidade da técnica em relação as condições de pasto nativo, produtividade de gado, lucro da fazenda e impactos florestais e de comunidades aquáticas. Estes estudos representam as primeiras investigações experimentais de rodízio de gado no Pantanal.
Resultados obtidos mostram que há vantagens significativas em usar o sistema de rodízio em comparação com o manejo tradicional extensivo de gado, como aumento da biomassa e da qualidade do pasto nativo, aumento de peso no rebanho, melhoria no sucesso reprodutivo e diminuição do impacto nos subbosques florestais e comunidade de plantas aquáticas. Estudos adicionais comparando florestas e comunidades aquáticas entre áreas com diferentes níveis de pastejo mostram que em áreas com alto impacto, a composição de espécies é alterada e a diversidade reduzida. O sistema de rodízio minimiza esses impactos pela melhoria da condição da pastagem nativa e, como conseqüência, redução do pastejo do gado em florestas e alagados.
De 2007 a 2008 o projeto expandiu graças a disseminação do programa, que inclui oficinas com fazendeiros financiadas pela WCS-Brasil, várias visitas a parceiros em potencial no sistema de rodízio, dois cursos financiados pela WCS-Brasil para fazendeiros e trabalhadores rurais mostrando melhores práticas de manejo e técnicas de inseminação artificial, e participação dos coordenadores do projeto e pesquisadores nos encontros de produção de gado e congressos científicos.
Na região de Aquidauana/Rio Negro, onde as parcerias originais foram estabelecidas, três novos fazendeiros, totalizando 9.500 há, se juntaram ao projeto. E mais, formação de parcerias em três novas regiões da bacia pantaneira e duas novas regiões do planalto, estão em andamento o que aumentará para 37.500 há. A área total protegida pelo estabelecimento de novas parcerias é agora de aproximadamente 53.000ha. Pelo recrutamento de parceiros em diferentes regiões da planície e planalto, nós esperamos expandir o impacto do projeto assim que grupos de fazendeiros vizinhos perceberem os benefícios em termos de lucratividade e diminuição de impacto ambiental. Alguns dos fazendeiros vizinhos são futuros parceiros em potencial, enquanto outros devem adotar práticas melhores de manejo de forma independente.
4. Monitoramento da Biodiversidade
White-lipped peccaries and cows
eating Spondius lutea, Pantanal
Desde 2006, a WCS vem ampliando seus esforços de modo a se concentrar em espécies chaves da paisagem, incluindo queixadas que são importantes presas das onças, e na avaliação e mitigação do impacto das atividades da pecuária sobre a paisagem. Nosso trabalho concentra-se em avaliar os impactos diretos e indiretos de uma indústria de gado, sobre espécies-chave (queixadas, lontras e outros), comunidades ecológicas (macrófitas, macroinvertebrados e comunidades de peixes nos corpos d'água), e habitats (características físico-químicas e biológicas dos ecossistemas aquáticos) no Pantanal, e no desenvolvimento de um plano geral de gestão para preservar as práticas tradicionais de pastoreio do Pantanal, a fim de proteger a biodiversidade da região.
.Como parte de um projeto-piloto sendo realizado em duas fazendas (hoje temos mais de 10), a WCS está criando instrumentos técnicos para melhorar as práticas de manejo de gado, gerando maior retorno tanto para os fazendeiros quanto para conservação das matas nativas. Além disso, um amplo monitoramento é feito no local para entender os impactos desta iniciativa para a conservação.
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Figura 1:
Registros de armadilhas fotográficas (%) de frugívoros consumindo frutos de acuri (Attalea phalerata) em cordilheiras (floresta semidecí -dua) sujeitas a alto e baixo impacto de gado.
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Figura 2:
Porcentagem de captura de anuros e lagartos nas estações chuvosa e seca em cordilheiras (mata semidecídua) sujeitas a alto e baixo impacto de gado (n = total de capturas de anuros ou lagartos durante as estações chuvosa e seca). |
Até o momento, resultados obtidos através de armadilhas fotográficas indicam maior diversidade e abundância de animais frugívoros nativos em florestas menos impactadas pela presença do gado. Queixadas, consideradas espécies da paisagem no Pantanal são os mais abundantes em florestas de baixo impacto (31% das visitas registradas a árvores em frutificação), enquanto o gado e porcos-monteiro são as espécies mais registradas em florestas de alto impacto (77%).
Diverse wetland community in
a freshwater lake, Pantanal
A diversidade de morcegos é maior em florestas cujo impacto da perturbação do gado é considerado baixo ou médio. Quatro espécies de morcegos de sub-bosque de abundância relativa média apresentam potencial como bio-indicadores de florestas de baixo impacto. Já a espécie generalista e abundante, Artibeus jamaicensis, é dominante em áreas altamente impactadas pela presença do gado.
Levantamento de répteis e anfíbios em áreas florestadas mostram maior abundância em áreas de baixo impacto durante ambas as estações, seca e chuvosa. Duas espécies de anuros e duas de lagartos apresentam potenciais como bio-indicadores de áreas de baixo impacto e uma espécie de anuro como bio-indicador de florestas perturbadas.
Estudos limnológicos em uma fazenda parceira indicou mudanças físico-químicas e em comunidades de vazantes (cursos d’água sazonais formados durante a estação chuvosa), relacionadas ao desmatamento e alterações nos cursos d’água em uma fazenda vizinha,não parceira deste projeto. A evaporação da água em uma vazante foi acelerada em mais de um mês, alterando os ciclos de sucessão aquática e reduzindo a disponibilidade de água e pastagem durante o ápice da estação seca para os herbívoros nativos e gado. Com base em tais resultados, a recuperação dos fluxos das vazantes será considerada uma prioridade para a conservação.
Experimentos de exclusão do gado têm mostrado uma recuperação considerável de espécies do sub-bosque após um ano de estudo (67% de aumento em “plots” de exclusão (vedado) versus 19% de redução em “plots” de controle). Dados preliminares do experimento de rotacionamento do gado mostram um aumento na biomassa de forrageiras em invernadas que estão no programa de rodízio em relação àquelas que passam pelo manejo do gado tradicional.