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Projeto Áreas pristinas da Amazonia Brasileira

Brazilian AmazonA Amazônia ainda é um dos locais do mundo aonde expedições biológicas visando a obtenção de conhecimento básico fazem todo o sentido. Existem muitas lacunas sobre o conhecimento da distribuição das espécies associadas a uma alta taxa de descoberta de novas espécies de vertebrados como mamíferos e aves (ex. Mittermeier et al. 1992, Ferrari e Lopes 1992, Alperin 1993, Roosmalen et al. 1998, Silva-Junior e Noronha 1998, Roosmalen et al. 2000, Voss e Silva 2001, Roosmalen et al. 2002, Rohe et al. 2009, Boubli et al. 2008).

Em geral, para vários grupos, as áreas de alta riqueza são aquelas onde foi empregado um maior esforço de coleta, refletindo um efeito de esforço amostral que não pode revelar apropriadamente padrões amazônicos sobre a riqueza e composição da maioria dos grupos de animais e plantas. Alguns dos grandes rios da Amazônia ainda permanecem não amostrados, nem mesmo de forma superficial como em levantamentos rápidos.

Considerando que o conhecimento básico sobre a distribuição geográfica e riqueza de espécies do maior número de grupos possíveis são variáveis importantes para promover estratégias eficientes para a conservação da biodiversidade Amazônica em grande escala, uma vez que tendo posse de informações sobre a distribuição das espécies de forma sistematizada em bancos de dados, poderemos avaliar de forma eficiente a representatividade do arranjo espacial das áreas protegidas em uma escala Amazônica, permitindo adequações visando a proteção do maior numero de taxa possível, incluindo tanto populações de espécies amplamente distribuídas como espécies com endemismos acentuados.

Sucuri
Sucuri fotografada no Rio Nhamundá

A idéia que trazemos aqui é a realização de um projeto de expedições para coletas biológicas que ampliem nosso conhecimento sobre padrões de distribuição das espécies, acompanhado de exposições e intercambio com as comunidades ribeirinhas sobre o conhecimento e o trabalho ecológico e conservacionista na Amazônia, sendo uma oportunidade para mostrar uma visão de como os Amazônidas vêem a Amazônia, ensinando enquanto aprendem.

Necessitamos, urgentemente, gerar mecanismos reais e efetivos que promovam a sinergia entre o conhecimento tradicional das populações amazônicas e o conhecimento cientifico dos acadêmicos. Dificilmente, as iniciativas de cunho conservacionista na Amazônia terão sucesso se não considerarem estes dois segmentos da sociedade.

Neste Projeto serão trabalhadas regiões de difícil acesso e que por conseqüência deste isolamento são desprovidas de levantamentos biológicos e socioambientais. A unidade amostral adotada no estudo será bacia hidrográfica e as áreas a serem amostradas foram determinadas seguindo os seguintes critérios.

  1. Localizadas em regiões com ótimo estado de conservação dos habitats
  2. Com baixa densidade populacional e conseqüente impacto humano
  3. Pouco ou nenhum conhecimento cientifico sobre diversos grupos biológicos (vertebrados, invertebrados e plantas).
  4. Potencial de descoberta de novas espécies baseado em descrições recentes, padrões biogeográficos dos diferentes grupos taxonômicos e lacunas amostrais na Amazônia Brasileira.

 

Áreas de estudo


Determinação das áreas focais

As áreas de maior interesse biológico (deficientes ou desprovidas de informações deste cunho) foram confrontadas com o mapa de classificação de nível de interferência humana gerado pela WCS “Human Footprint”, pelas obras de infra-estrutura e pelo desmatamento acumulado.

Mapa das regioes
Figura 1 – Mapa das regiões amostrais sobrepostas à base “Human Footprint”.


Tabela 1 – Área das bacias e porcentagem de área desmatada até 2005 (PRODES)

 Rio  Área (km2) % desmatada  bacia hidrográfica
 Jatapú  34509.9 0.76%  Amazonas
 Nhamundá  23228.6 1.34% Amazonas
 Eiru/Gregório  17814.8  1.47%  Juruá
Matupiri  12143.4 0.57% Madeira
Preto do Igapó Açú  12866.4  0.63% Madeira
 Canumã 30562.3  0.75%  Madeira
 Tupana 5235.8  0.87% Madeira
 Manicoré  25789.8  2.24%  Madeira
 Preto do Padauari  15591.8  0.11% Negro
 Branco  25948.9  0.15%  Negro
 Tapauá 63630.4  0.15%  Purus
 Ipixuna 19706.1  1.92%  Purus
 Cuiuni  10733.9 0.04%  Solimões
 Japurá  26421.7  0.06%  Solimões
 Jandiatuba  14890.4  0.14%  Solimões
 Mineruazinho  9678.6  0.62% Solimões
 Içá  13832.7  0.72%  Solimões
 Tefé  24518.6 1.62%  Solimões

Clique aqui para baixar a versão estendida da tabela.

Objetivo geral

A proposta objetiva obter ou refinar o conhecimento biológico e socio-ambiental, visando a determinação de áreas com alta relevância para a conservação em regiões pristinas da Amazônia Brasileira. Para tanto, a parceria com as populações ribeirinhas em forma de intercambio de conhecimento constitui um componente fundamental na execução do projeto, visando além de atualizar e sensibilizar as populações amazônicas com a questão da conservação da natureza, trazê-los como colaboradores em trabalhos de pesquisa neste bioma.

Objetivos específicos (biológicos)

  1. Coleta de material biológico.
  2. Refinamento do conhecimento dos padrões biogeográficos.
  3. Descoberta e descrição de novos taxa.
  4. Observar as relações das espécies com fatores ambientais.

 

Objetivos específicos (socio-ambientais)

  1. Trazer aos ribeirinhos as “histórias” contadas pela ciência, relacionando-as com suas próprias percepções acerca dos ambientes e organismos que os sustentam.
  2. Obter material gerado pelas populações tradicionais para a divulgação pública (fotos, desenhos e outras expressões artísticas) dando os devidos créditos pela obra.
  3. Divulgar a importância de ações conservacionistas imediatas na Amazônia entre as populações ribeirinhas sensibilizando-os para que se tornem agentes dispersores e aliados na conservação da Amazônia.

 

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