Infelizmente, extinções locais do queixada têm sido observadas ao longo de suas áreas de ocorrência. Em regiões com longos trechos de floresta intacta, como na Amazônia, as perdas têm sido causadas pelas pressões de caça. Na Mata Atlântica no sudeste do Brasil, uma série de consequências negativas associadas à fragmentação do habitat têm sido as causas principais das extinções locais dos queixadas e do declínio das populações de cateto.
Durante cinco anos, estudamos a ecologia dos catetos e queixadas num fragmento de floresta Atlântica sazonal no Brasil. O propósito do estudo foi investigar os fatores ecológicos relacionados à sua persistência nesse fragmento da floresta e comparar a vulnerabilidade das duas espécies aos problemas associados à fragmentação do habitat.
Com a ajuda dos voluntários do Earthwatch, coletamos durante as estações seca e úmida dados sobre as densidades de pecaris, áreas de seus territórios, habitat , dieta, uso dos corredores e fragmentos florestais satélite, e disponibilidade de recursos.
Aprendemos que a preservação da qualidade e diversidade dos habitats em pequenos fragmentos da floresta Atlântica são importantes para a manutenção população de queixadas nestas áreas que são típicas de fragmentos muito maiores e de florestas contínuas.
De forma a desenvolver um plano geral de manejo e compreender completamente os efeitos da fragmentação do habitat na ecologia e comportamento dos pecarideos, estamos a 10 anos pesquisando queixadas e catetos, e outros frugivoros na bacia do Pantanal e no planalto entorno, origem das águas que adentram ao Pantanal, e aonde aproximadamente 60% do Cerrado foi desmatado e transformado em terra de cultura (por exemplo soja, milho e algodão) nos últimos 50 anos.
Entretanto, a eliminação dos queixadas e catetos causaria alterações no habitat e danos ainda maiores. Devido a este impacto no ecossistema, queixadas foram classificados como “espécies da paisagem” e significa que a sua conservação ajuda a preservar muitas outras espécies pois têm impacto significante na estrutura e funcionalidade do ecossistema.
Queixadas foram uma das “espécies da paisagem” escolhidas pela comunidade científico, durante um workshop realizado pela WCS-Brazil e Embrapa-Pantanal. Esforços conservacionistas tendo espécies de paisagem como foco, auxiliam na manutenção da integridade regional da biodiversidade e da ecologia, uma vez que as espécies escolhidas utilizam áreas grandes e diversas, têm impacto significante na estrutura e funcionalidade do ecossistema, e são vulneráveis às ameaças ambientais criadas pelo homem (WCS Living Landscapes Bulletin, 2001).
Apesar do aumento da interferência humana durante os últimos 50 anos, o ecossistema do Pantanal é considerado um dos biomas mais preservados no Brasil. Sob a perspectiva da conservação, esta preservação é resultado de uma combinação favorável de fatores ambientais e sócio-econômicos.
Enquanto a cheia disponibiliza pastagens sazonais de alta qualidade para animais herbívoros, ela também limita o desenvolvimento em larga escala da região. No entanto, a região é ameaçada por uma variedade de atividades antrópicas, que se intensificou nos últimos 30 anos.
Queixadas e catetos são espécies nativas da região e nosso projeto tem adequerido estudos sobre a dinâmica populacional, uso de território e recursos e ecologia comportamental, monitoramento epidemiológico, e avaliar o grau de variabilidade a estruturação genética das populações de catetos e queixadas, além do padrão de dispersão dessas espécies usando marcadores moleculares.
O principal objetivo do projeto é documentar e descrever tais aspectos da ecologia dos pecarídeos no Pantanal e no planalto entorno (cerrado)
Outro objetivo deste estudo é avaliar os efeitos do porco-monteiro,um exotico, sobre os ecologicamente semelhantes pecarídeos.
Porcos-monteiros são populares entre os animais de caça no Pantanal, e curiosamente, a pressão de caça sobre catetos e queixadas pode ser reduzida devido à preferência dos pantaneiros pela carne do porco-monteiro

Os pecarídeos são especialmente vulneráveis ao desmatamento e fragmentação do habitat, pois eles utilizam grandes áreas e uma variedade de habitat florestais e frutos. Grandes extensões de habitats preservados ainda são encontrados no Pantanal.
Planejamos investigar os efeitos do desmatamento sobre os pecarideos.
Finalmente, uma vez que os pecarídeos utilizam grande variedade de habitats e necessitam de grandes áreas, os esforços para a conservação destas espécies beneficiarão muitas outras espécies.
Para prevenir novos desmatamentos e todas as suas conseqüências no Pantanal Brasileiro e em seu entorno, WCS Brasil/Pantanal no projeto:
CONSERVANDO A BIODIVERSIDADE DO PANTANAL E PLANALTO COM A COMUNIDADE RURAL DO MATO GROSSO DO SUL
esta trabalhando com proprietários para a promoção de práticas de manejo sustentável que sejam alternativas rentáveis ao invés de desmatamento e mudança de habitat.
Com a preservação da biodiversidade, turismo cientifico, e cursos de capacitação para as escolas pantaneiras e comunidade local, o projeto tambem tem beneficiado Fazendas pecuárias e com atividades de ecoturismo.
Contato
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