Recentemente os Xenarthros foram reagrupados em duas ordens, Cingulata englobando as espécies de tatus e Pilosa que engloba os tamanduás e preguiças. O tamanduá-bandeira é o maior tamanduá existente, possui uma conformação compacta, destacando-se a presença de um focinho longo e cônico que acomoda uma língua vermiforme que auxilia na captura dos alimentos. Possui adaptações anatômicas em virtude dos hábitos alimentares, constituído, basicamente de formigas e cupins.
Quais sejam orelhas diminutas, olhos pequenos e negros, membros anteriores fortes e providos de garras bem desenvolvidas que pode chegar a 6,5cm e são protegidas no apoio plantar, sendo este o único meio de defesa e também ferramenta alimentar. Sua atividade varia de noturna a diurna.
- Distribuição e Habitat
- Reprodução e longevidade
- Área de vida
- Alimentação
- Status de conservação
- Principais ameaças
Distribuição e Habitat
A distribuição do tamanduá-bandeira limita-se às regiões tropicais e subtropicais das Américas. Desta forma, esta espécie pode ser encontrada ao sul de Belize e Guatemala, oeste dos Andes, a noroeste do Equador, Colômbia, sul da Venezuela, sudeste da Bolívia, oeste do Paraguai, noroeste da Argentina e leste do Uruguai, onde provavelmente esteja extinto.
Os tamanduás-bandeira utilizam uma grande variedade de habitat, como florestas úmidas, cerrados, pantanais e mata decídua, a diferentes altitudes. No Brasil ocorre em todos os biomas, desde a Amazônia aos campos sulinos. A figura 1 ilustra o mapa de distribuição geográfica do Myrmecophaga tridactyla, mapa elaborado pela IUCN em 2005.
Reprodução e longevidade
O tamanduá-bandeira não apresenta estrutura social definida, vivendo como animal solitário a maior parte do tempo, com exceção dos breves encontros para reprodução e das fêmeas com filhotes, que são carregados durante os seis primeiros meses de vida. Trata-se de uma espécie de reprodução lenta, alcançando a maturidade sexual ao redor dos dois anos, tendo somente uma cria por ano. A espécie não apresenta dimorfismo sexual evidente.
Possui baixo potencial reprodutivo conferido pela longa gestação (190 dias) e grande intervalo entre partos. No entanto regiões com poucos indivíduos que possuam disponibilidade de área e alimento, e onde fatores impactantes sejam inexistentes ou reduzidos, têm potencial pra o incremento populacional. Não se conhece a longevidade da espécie em vida livre, porém em cativeiro em zoológicos brasileiros existem relatos de animais com mais de 25 anos de idade.
Área de vida
A área de vida vária muito com a região. Estudo realizados na Venezuela constatou uma área de vida de 2500 ha, enquanto que na Serra da Canastra sua área de vida foi de 367 ha para fêmea e 274 ha para os machos.Em outras áreas como o Parque Nacional das Emas a área de vida estudada foi maior, sendo 693 ha para as fêmeas e 1098ha para os machos. Estudos realizados no Pantanal sul compilaram uma área de vida maior para fêmea, cerca de 1190ha e 570ha para os machos. Intensa sobreposição de área de vida ocorre com esta espécie.
Alimentação
Pouco se sabe sobre a dieta desta espécie em ambiente natural, estudos demonstraram que esses animais consumem proporção muito maior de formigas do que cupins em determinadas áreas e épocas. Os gêneros de formigas mais envolvidos na dieta são Solenopsis, Camponotus, Azteca, Crematogaster e Odontomachus, já os gêneros de cupins são: Nasutitermes, Armitermes, Velocitermes, Diversitermes, Cornitermes e Cortariterme. Não existe registro de predação nas formigas do gênero Atta. Sua estratégia de alimentação se baseia em vários períodos de alimentação muito breve; supõe-se que estes animais não esgotem os cupinzeiros e formigueiros. Sendo assim, o tamanduá–bandeira necessita visitar numerosos sítios alimentares durante o dia.
Status de conservação
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é considerado espécie “vulnerável” no Brasil de acordo com a Lista Oficial das Espécies Ameaçadas (BRASIL, 2003b), como espécie “Quase ameaçada” pela IUCN Red List of Threatened Species – 2005, e também está inclusa no Apêndice II da Convention on International Trade Endagered Species of Wild Fauna and Flora – CITES desde 2003.
Principais ameaças
Tamanduá bandeira
atropelado na BR 163
Embora esta espécie possa ser encontrada em muitas regiões das Américas Central e do Sul, eles são ocupas diversos biomas em especial o cerrado, que já cobriu 28% do Brasil.
Apesar de ainda poder ser encontrada numa variedade de habitats, de matas a campos, o tamanduá - bandeira tem sofrido forte impacto resultante, principalmente, da expansão da fronteira agrícola e urbana (queimadas, atropelamentos rodoviários e alteração de habitats), da ocupação e desenvolvimento acelerado da região central do país, como também por ataques de cães (pressão de caça e predação).
A baixa taxa metabólica, baixa temperatura corporal (em torno de 33°C), baixa capacidade termorregulatória, pequeno potencial reprodutivo, cuidado parental prolongado e longos períodos de gestação dos tamanduás - bandeira são indicativos de baixas taxas intrínsecas de crescimento populacional o que torna esta espécie bastante vulnerável a pressão antrópica.
Perda de habitat
A intensidade da exploração dos recursos naturais tem posto em risco as possibilidades de renovação natural. A perda, a degradação e a fragmentação de habitats, resultantes de atividades humanas, constituem as maiores ameaças aos mamíferos terrestres existentes no país.
O desenvolvimento econômico gera aumento da densidade populacional humana, elevando a quantidade de fatores extrínsecos que levam ao declínio populacional de outras populações de mamíferos. Por sua vez, o impacto imediato da degradação ambiental gera a perda da biodiversidade, aumentando o número de espécies ameaçadas de extinção.
A rápida transformação da paisagem brasileira em plantações de soja e cana-de-açúcar, debilitou as regiões de cerrado em 1990, pressionando as populações selvagens com diminuição de hábitat, queimadas e atropelamentos e outros fatores.
Neste contexto, diversos fatores podem contribuir para que as populações de tamanduás-bandeira entrem em declínio populacional, incluindo provável alteração nas comunidades de cupins e de formigas, atropelamentos, queimadas, caça predatória entre outros.
Atropelamento
Tamanduás-bandeira são comumente atropelados na região dos Campos Gerais, sendo citado em algumas localidades desta região como um dos animais mais afetados por atropelamentos. Se for levada em consideração a baixa densidade populacional aparentemente observada em toda a sua distribuição no Paraná, este se torna um fator extremamente preocupante.
Queimadas
Muitos pesquisadores afirmam o Tamanduá bandeira é o mamífero de grande porte mais afetado pelas queimadas. Devido aos seus longos pêlos facilmente inflamáveis e à baixa mobilidade, os tamanduás-bandeira são atingidos com freqüência por grandes incêndios florestais, que podem causar a morte desses indivíduos. Este é um importante fator de impacto em pequenas populações na região central do Brasil.
Caça
Ao longo de sua distribuição original, autores sugerem que a caça tenha sido um dos fatores responsáveis pelo declínio de suas populações. Na região norte e nordeste o animal é abatido com fins de alimentação, uso do couro com diversos fins. Em poutras regiões brasileiras a perseguição e abate de tamanduás-bandeira parece estar mais vinculado ao ataque de cães domésticos.
Ataques de cães
Os tamanduás bandeira são comumente atacados por cães de proprietário rurais que vivem nos entorno de unidades preservadas. Esta ameaça atinge toda sua área de distribuição no país,. Relatos de ataques de cães a tamanduás em áreas rurais, bem como a perseguição à espécie por ter atacado cães são bastante comuns em sua área de ocorrência.
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